Impacto da fotografia digital na seleção de cor
Com o avanço das tecnologias digitais nos últimos anos, a fotografi a digital teve um impacto imediato e profundo na aplicação clínica.

Impacto da fotografia digital na seleção de cor

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Conexão transatlântica Portugal-Brasil: Diogo Viegas estreia sua coluna na PróteseNews para falar sobre tecnologia aplicada à clínica diária.

Nesta edição, estreio minha coluna na PróteseNews. Será, com certeza, uma mais-valia para enriquecer uma revista de elevada consideração nacional e internacional. Eu sou o Diogo Viegas e falo direto de Portugal. Desde muito cedo, eu tive oportunidade de interagir com grandes profissionais brasileiros que vinham ao meu país. Até hoje, inspiro-me em seus ensinamentos e na procura da excelência na nossa especialidade. Cursei Prostodontia na Universidade de Lisboa e, mais recentemente, iniciei outro desafio: o doutorado.

Nos últimos anos, a expectativa de resolução dos casos clínicos e da seleção de cor em Odontologia tem evoluído muito. Sabe-se que a percepção de cor é um processo físico, porém influenciada por fatores que podem ser dependentes (substrato/área adjacente e luz) ou não do operador (competência de gênero e cor). Na prática diária, tornou-se um processo empírico feito através de uma comparação direta e subjetiva entre o dente e uma escala, o que gera grandes limitações na relação técnico-dentista-paciente1.

Para minimizar estes problemas, muito tem sido estudado em relação ao conceito da cor. O conhecimento da Física tem sido aplicado diretamente por meio da interpretação do mecanismo de propagação e interação da luz nos diferentes tecidos dentários. São necessários o desenvolvimento e a aplicação de métodos que aumentem a precisão e a objetividade da análise e estimativa de cor. Com o avanço das tecnologias digitais nos últimos anos, a fotografia digital teve um impacto imediato e profundo na aplicação clínica, principalmente devido à visualização e distribuição instantânea de imagens2.

O espaço de cor Cielab foi desenvolvido pela Comissão Internacional de Iluminação em 1976. A partir daí, há diversos sistemas com esse propósito: eLAB2 e Matisse. Basicamente, são métodos de mapeamento da cor e têm três componentes: L* (luminosidade), a*(eixo verde-vermelho) e b*(eixo azul-amarelo).

O objetivo é identificar meios mais eficientes para integrar de forma adequada os resultados restauradores, por meio de uma análise quantitativa, a fim de permitir que médicos e técnicos trabalhem de forma previsível mesmo quando estão em diferentes localizações geográficas. A seguir, seguem duas representações da aplicação destes conceitos em dois casos clínicos com uso de fotografia digital.

Caso clínico 1

Caso clínico 2

Referências

  1. Dudea D, Gasparik C, Botos A, Alb F, Irimie A, Paravina RD. Influence of background/surrounding area on accuracy of visual color matching. Clin Oral Investig 2016;20(6):1167-73.
  2. Hein S, Tapia J, Bazos P. eLABor_aid: a new approach to digital shade management. Int J Esthet Dent 2017;12(2):186-202.

Coordenação:

Diogo ViegasDiogo Miguel da Costa Cabecinha Pacheco Viegas
Pós-graduado e técnico em Prótese Dentária, doutorando em Ciências da Reabilitação Oral e professor assistente convidado de Prótese Fixa e Reabilitação Oral – Faculdade de Medicina dentária da Universidade de Lisboa (FMDUL), em Portugal.
Orcid: 0000-0002-6545-7875.