Recorrentes fraturas: como obter uma melhor avaliação da oclusão da paciente?

Recorrentes fraturas: como obter uma melhor avaliação da oclusão da paciente?

Compartilhar

Eduardo Miyashita debate caso em que não foi possível observar interferências oclusais ou sinais clínicos de desgaste dentário pelo bruxismo que justifiquem fraturas.

“Uma paciente apresenta recorrentes fraturas de dentes e restaurações, mas, usando carbono, não observo interferências oclusais ou sinais clínicos de desgaste dentário pelo bruxismo que justifiquem estas fraturas. Como obter uma melhor avaliação da oclusão da paciente?”
Pergunta enviada por Ana Paula Amorin, de São Paulo (SP).

Eduardo Miyashita
Esta é uma situação desafiadora na clínica reabilitadora, pois o diagnóstico do bruxismo do sono é complexo e nem sempre é evidente. Além disso, a polissonografia e a eletromiografia são exames de elevado custo, difícil interpretação por parte do clínico e não permitem a avaliação do padrão de bruxismo. Pacientes que usam placas interoclusais por um longo período, muitas vezes, apresentam desgastes na superfície da placa que possibilitam verificar posições mandibulares extremas durante o bruxismo do sono. Os movimentos mandibulares nem sempre são reproduzíveis clinicamente ou com articuladores ajustáveis mecanicamente, devido à elevada carga aplicada pelos grupos musculares e pela torção mandibular durante os movimentos.

O Brux Checker (Scheu Dental, Alemanha) é uma fina lâmina prensada a vácuo e sua aplicação na boca não causa apreensão por parte do paciente, pois o dispositivo não é invasivo. O paciente é orientado a usá-lo na maxila ou na mandíbula em noites distintas, colocando-o imediatamente antes de ir para a cama e removendo-o ao acordar pela manhã.

O Brux Checker possui espessura de 0,1 mm, fornecendo quase nenhuma interferência à oclusão habitual ou ao movimento mandibular, além de não induzir a atividade muscular mastigatória desnecessária, diferentemente da placa interoclusal, que sempre altera a dimensão vertical de oclusão. Desta forma, pode-se visualizar os desgastes na superfície da fina lâmina e verificar o padrão de bruxismo apresentado durante o período de sono, auxiliando no diagnóstico e na determinação das melhores condutas terapêuticas.

Caso 1 – Avaliação da direção dos movimentos mandibulares, realizada sobre uma placa interoclusal.

Caso 2 – Uso de Brux Checker para diagnosticar e avaliar o padrão de movimento mandibular realizado durante o bruxismo do sono.

Eduardo Miyashita
Eduardo Miyashita

Professor titular do Depto. de Odontologia, disciplina de Prótese Dental – Unip/SP; Doutor em Odontologia Restauradora – Unesp/SJC.
Orcid: 0000-0002-1098-714X.