Como avaliar a oclusão quando o paciente relata que o dente está alto?
funciona como “carbono fi lme” convencional em vermelho.

Como avaliar a oclusão quando o paciente relata que o dente está alto?

Compartilhar

Dente alto: caso cínico traz paciente com o dente 36 mais sensível após ajuste oclusal por desgaste seletivo e tratamento endodôntico.

Como avaliar a oclusão de próteses ou dentes naturais quando o paciente relata que o dente está alto, mesmo que as marcas geradas pelo papel carbono estejam aparentemente iguais?”

 Pergunta enviada por José Nélio de Miranda, de Pouso Alegre (MG).

Eduardo Miyashita – A percepção proprioceptiva periodontal pode ser alterada por diversos fatores, como trauma periodontal, reparo de lesões periapicais pós-tratamento endodôntico, hiperestesia pulpar e alterações proprioceptivas decorrentes de disfunções temporomandibulares, como dores musculares miofasciais, dores orofaciais, dentre outros fatores. A avaliação desses fatores é importante, já que o ajuste dentário deve ser evitado sem o prévio e adequado controle sintomatológico. O paciente pode se queixar de dentes “altos”, levando a um ajuste excessivo e deixando os dentes em infraoclusão, o que pode gerar migrações dentárias e ocasionar falta de suporte dentário para a articulação temporomandibular em pessoas com bruxismo, trauma oclusal em dentes adjacentes ou mesmo distância provocada por desvios mandibulares adaptativos.

As fitas de mylar plásticas metalizadas (como a schim stock) ou o carbono fino de 8 μ a 12 μ podem ser usados para o controle dos contatos oclusais. Uma alternativa são os sensores digitais, como o OccluSense (Bausch, Alemanha), que é um aparelho portátil utilizado juntamente com um sensor de pressão descartável de 60 μ, que funciona como um “carbono filme” convencional revestido em vermelho. Isso associa o sistema tradicional de marcação de oclusão com papel carbono à medição digital da pressão oclusal. A força dos contatos dentários do paciente é digitalmente capturada com 256 níveis de pressão.

Por meio de um aplicativo, é possível visualizar a distribuição proporcional das forças oclusais em toda a arcada dentária, servindo como orientação e documentação ao profissional para o planejamento terapêutico oclusal. Esses dados podem ser analisados e comparados ao longo do tempo aos dados clínicos relatados pelo paciente.

No caso cínico a seguir, o paciente diz sentir o dente 36 mais sensível e mais “alto” após ajuste oclusal por desgaste seletivo e tratamento endodôntico, mas não sente dor ou desconforto à percussão ou ao mastigar.

Eduardo Miyashita
Eduardo Miyashita

Professor titular do Depto. de Odontologia, disciplina de Prótese Dental – Unip/SP; Doutor em Odontologia Restauradora – Unesp/SJC.
Orcid: 0000-0002-1098-714X.