Os primeiros passos para investir na Odontologia Digital
Figura 1

Os primeiros passos para investir na Odontologia Digital

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Luis Calicchio compartilha ponto de vista a respeito da Odontologia Digital e das principais questões do tema.


Quais são as vantagens de adotar a Odontologia Digital?

A maior vantagem da Odontologia Digital está em nivelar o resultado do trabalho de um maior número de profissionais (cirurgiões-dentistas e técnicos em prótese dentária), beneficiando o paciente. Hoje, a tecnologia permite padronizar e digitalizar processos que antigamente eram totalmente manuais, o que resulta em agilidade na educação de pessoas e na garantia de qualidade do serviço executado. Sendo assim, é possível obter:

  1. Aumento da produtividade dos profissionais, tanto dentistas como técnicos em prótese dentária, pois os processos deixam de ser manuais e passam a ser digitais, ou seja, máquinas permitem produzir mais e em menos tempo.
  2. Prazo de entrega dos serviços e produtos é reduzido, uma vez que a digitalização do processo melhora o fluxo de trabalho clínico e laboratorial.
  3. Qualidade do serviço e produto superior, pois deixa de ser tão artesanal e dependente da habilidade manual do executor. A replicabilidade do serviço – que foi definido no mock-up – será exatamente igual a entregue na restauração final.
  4. Preço reduzido de serviço e produto, pois o fluxo digital possibilita aumento na produtividade e diminuição dos erros dentro do processo produtivo.
  5. Facilidade no processo de repetição do trabalho. Em casos de fratura de restauração, por exemplo, é simples refazer o trabalho porque o desenho digital já existe, necessitando somente usinar ou imprimi-lo novamente.
  6. Experiência e conforto do paciente, que terá procedimentos feitos em um tempo muito mais curto e de forma menos invasiva.
  7. Facilidade na comunicação entre as diferentes especialidades, tendo em vista que fica mais fácil compartilhar as informações. Ferramentas de mensuração permitem às equipes visualizarem todos os detalhes do caso, sem contar o poder de comunicação que o dentista passa a ter com o próprio paciente.
  8. A utilização do escaneamento intraoral também tem o lado ecológico, por diminuir o consumo de produtos que causam prejuízo para o meio ambiente.

É importante salientar que a digitalização do processo deve ser encarada como uma aliada. Os profissionais que assim a enxergarem e souberem tirar proveito estarão à frente no mercado.

Assim como qualquer mudança, a introdução da tecnologia na rotina diária de dentistas e TPDs é dolorosa e deve ser feita de forma gradual. O gráfico a seguir mostra a curva de aprendizado pela qual qualquer pessoa ou empresa passa no momento que decide mudar uma rotina que já está estabelecida (Figura 1). Sempre existirá um momento de queda da performance, o que é inerente ao aprendizado. Mas, assim que o aprendizado é internalizado, o aumento de performance é evidente, levando o negócio a outro patamar.

Odontologia Digital
Figura 1


Qual o tamanho do investimento para praticar o fluxo digital dentro da clínica?

O investimento para implementar o fluxo digital pode ser inteligentemente controlado na medida que ocorre a adequação ao fluxo de trabalho. Muitas vezes, o dentista acha que gastará um valor bem elevado, mas, na realidade, o maior investimento está no laboratório e não na clínica.

Investimentos do dentista:

  1. Máquinas fotográficas ou celular ou iPad – de R$ 5 mil a R$ 30 mil;
  2. Aplicativo de desenho do sorriso (por exemplo, DSD) – R$ 1 mil anual;
  3. Aplicativo de escaneamento de face (por exemplo, Bellus 3D) – R$ 30;
  4. Scanner intraoral ou aluguel de scanner intraoral – de R$ 70 mil a R$ 150 mil (para comprar) ou de R$ 200 a R$ 350 por hora de escaneamento;
  5. Software para desenho 3D do sorriso ou restaurações (caso o dentista queira fazer esta etapa, ou seja, não utilizar o laboratório) – de R$ 16 mil a R$ 90 mil;
  6. Impressora 3D (para quem quer imprimir modelos para mock-up ou o próprio mock-up, ou seja, não utilizar o laboratório) – de R$ 9 mil a R$ 35 mil;
  7. Fresadora (para quem quer fazer as restaurações dentro do consultório, ou seja, não usar o laboratório) – de R$ 190 mil a R$ 350 mil;
  8. Equipamentos para acabamento e maquiagem das restaurações (caso o dentista queira fazer restaurações dentro do consultório, ou seja, não usar o laboratório) – de R$ 50 mil a R$ 80 mil.

É interessante que o dentista compre uma fresadora para ter um sistema chairside?

Existem diferentes fluxos digitais para diferentes necessidades. O sistema chairside não se aplica à maioria dos dentistas, uma vez que precisa de investimento financeiro e educacional extremamente elevado para suprir as necessidades restauradoras. O que temos que levar em consideração é o volume de trabalho que o consultório possui e, dessa forma, chegar em um ponto de equilíbrio e benefício para realizar todo o trabalho in house. Você já pensou no tempo que o dentista deve disponibilizar no dia para criar o design das peças, executar as estratégias de usinagem, dar acabamento nas restaurações e depois executar a maquiagem?; se isso realmente isso faz sentido na sua rotina clínica?; se vale a pena trocar o precioso tempo de produtividade na boca do paciente, aumentando sua capacidade de atendimento e melhorando o relacionamento com ele, para executar o fluxo do começo ao fim?; será que não é mais fácil encontrar um laboratório que possa fazer um atendimento de forma rápida, personalizada e com grande qualidade no serviço prestado?

O sistema chairside é produtivo na grande maioria dos consultórios, por isso muitas das grandes empresas passaram a adotar uma abordagem diferente em relação a esta tecnologia. De qualquer maneira, na minha experiência de mercado, isso não significa que em um futuro próximo, com novas tecnologias e barateamento de equipamentos, não mudemos de ideia. O importante é estar com a cabeça sempre aberta para o movimento do mercado e, principalmente, para as necessidades do consumidor final.

Se eu optar em comprar um scanner intraoral, qual a aplicabilidade dele dentro do meu consultório?

O erro está em associar o scanner intraoral pura e simplesmente para o registro da impressão digital dos preparos. Ao entender todas as aplicabilidades desta ferramenta na rotina clínica, talvez o custo do investimento faça sentido e aquela primeira impressão de que se trata de um equipamento extremamente caro mude para uma visão de ser algo imprescindível e necessário. A seguir, confira algumas das possibilidades de uso do scanner intraoral no consultório:

  1. O escaneamento inicial das arcadas em uma primeira consulta facilita o poder de troca de informações entre equipes interdisciplinares, uma vez que os softwares possuem ferramentas de mensuração e de simulação de hipóteses de tratamentos. Isso funciona muito bem também para facilitar a comunicação entre o dentista e o paciente, que compreende mais facilmente tudo o que está acontecendo em sua boca, como a visualização de desgastes dentais, cavidades, retrações gengivais, problemas oclusais e defeitos ósseos. O paciente visualiza tudo em imagens 3D.
  2. Possibilidade de cópia de dentes naturais de qualquer pessoa, criando um arquivo digital variado que pode servir de modelo para a construção de um novo sorriso. Já pensou em poder reconstruir o sorriso de uma mãe usando os dentes naturais de sua filha/filho como referência? A naturalidade nas construções das restaurações é algo impressionante e poderoso.
  3. Fazer o escaneamento da boca de jovens e armazenar o arquivo, que poderá ser utilizado no momento que eles apresentarem qualquer problema dental durante sua vida.
  4. Fazer escaneamentos semestrais, em todo retorno preventivo do paciente, podendo sobrepor as imagens e mensurar alterações dentais e de tecido gengival.
  5. Velocidade na captura das imagens durante a fase de preparo. A possibilidade imediata de avaliar as condições dos preparos e se estão de acordo com as condições necessárias exigidas pelo laboratório para a confecção da restauração final.
  6. Facilidade no envio dos arquivos digitais para os laboratórios, evitando o transporte e a logística. O laboratório recebe as informações praticamente instantaneamente após o escaneamento e já pode iniciar o desenvolvimento do trabalho, sem a necessidade da confecção de modelos.
  7. No momento da prova das restaurações finais, o escaneamento permite uma avaliação precisa da adaptação e da relação oclusal.
  8. Controle do processo de cicatrização após cirurgias. Ao final da cirurgia, pode-se realizar o escaneamento da região e, posteriormente, nas consultas de acompanhamento, repeti-lo para avaliar o processo de cicatrização.
  9. O escaneamento após a finalização de qualquer tratamento restaurador garante que, caso aconteça alguma intercorrência ao longo dos anos, seja possível replicar o resultado com extrema facilidade e velocidade.

Esses são alguns exemplos de aplicabilidade do scanner dentro do consultório e os benefícios não somente em relação ao tempo de trabalho, mas também no poder de comunicação e experiência com os pacientes. Você ainda continua achando que é um investimento caro e que não faz sentido?

A Odontologia Digital abre um leque enorme de possibilidades para seus adeptos e, cada vez mais, observa-se a evolução de ferramentas e fluxos de trabalhos que tornam a rotina diária da Odontologia mais simples e eficiente. É importante superar o medo e a insegurança de adotar a tecnologia, para, assim, colher bons frutos de tudo isso.

Confira outras edições da coluna “Descomplicando a tecnologia”, de Luis Calicchio.

Luis Calicchio
Luis Calicchio

Fundador e CEO da UDLab; Graduado em Odontologia pela Unicamp; Autor dos livros A Arquitetura do Sorriso; Precision – os segredos da Odontologia Estética minimamente invasiva; A Arquitetura do Sorriso e a Construção de uma Marca.