Os limites na busca pela estética
A busca pela perfeição estética apresenta um dilema: como equilibrar os anseios do paciente e a ética profissional?

Os limites na busca pela estética

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Estética: como encontrar o equilíbrio entre os anseios do paciente e a ética profissional? A PróteseNews traz pontos de vistas complementares para discutir o assunto.

O comportamento humano é altamente influenciado pela comunicação em massa, e as mídias sociais se tornaram grandes facilitadoras na divulgação de tendências, modismos e informações. Esse fenômeno também impacta a Odontologia, já que comumente os pacientes chegam ao consultório solicitando tratamentos e resultados vistos na internet. Mas, a busca pela perfeição estética apresenta um dilema: como equilibrar os anseios do paciente e a ética profissional? Como alcançar “os resultados midiáticos” almejados pelo paciente sem colocar em risco sua saúde e respeitando todos os aspectos biológicos e funcionais?

A seguir, apresentamos uma discussão com pontos de vistas complementares sobre os novos desafios envolvendo os tratamentos odontológicos.

Ponto de equilíbrio

Por Renata Faria

Os recursos estéticos disponíveis atualmente são simplesmente fantásticos. A possibilidade de modificar a cor, a forma e a textura dos dentes com procedimentos pouco invasivos, como as facetas laminadas cerâmicas ultrafinas, encanta não somente os pacientes, mas também os profissionais da área, já que é possível devolver a autoestima da pessoa através do sorriso. Além disso, o desenvolvimento tecnológico contribui cada vez mais para a obtenção de resultados estéticos melhores e mais rápidos. Porém, temos nos deparado com a falta de bom senso na determinação dos limites dos tratamentos estéticos. Isso não somente para a região da boca, mas para todo o corpo. O bom senso deveria prevalecer nos planejamentos reabilitadores que, idealmente, precisam ser personalizados e não padronizados. Um grande desafio é conciliar o anseio do paciente e a ética do dentista.

A estética parece ter se tornado algo mais importante do que a saúde, principalmente para os jovens, sendo que a busca pela beleza dental se tornou tão ampla que muitos profissionais já se intitulam “especialistas em estética”. No entanto, a ética é fator primordial. Por mais conservadores que sejam, os tratamentos estéticos são irreversíveis, portanto, ainda que o paciente insista, é dever do bom cirurgião-dentista explicar corretamente as consequências e saber contraindicar algumas situações clínicas. Isso não é tarefa fácil, pois sabemos que esse paciente provavelmente vai procurar outro profissional para realizar o seu desejo.

Opostamente a esta situação, o paciente que procura um profissional com a expectativa de manter ou tratar sua saúde bucal, sem o desejo de um tratamento estético, pode ser informado da possibilidade de fazê-lo, porém, jamais ser induzido a isso.

Materiais e tecnologias entraram na nossa realidade com força total, o que ajuda a aprimorar os resultados de tratamentos, mas infelizmente também é preciso avaliar o lado negativo. A arte da escultura dental e do enceramento está quase totalmente abandonada e foi substituída pelos desenhos digitais e bancos de formas de dentes utilizados pelos técnicos de laboratório. A tecnologia ajuda bastante os profissionais experientes, pois eles conhecem muito bem a anatomia dental – aspecto importante para evitar a padronização do sorriso. Mas, será que é mesmo tão bonito para todas as pessoas um sorriso totalmente alinhado, com cor extremamente clara e uniforme?

Outros fatores importantes que parecem estar sendo esquecidos são os aspectos biológicos, como a saúde periodontal e a oclusão. É claro que existe a proporção dental ideal para obter harmonia estética, o que torna o sorriso e o rosto mais bonitos. Também, alguns recursos podem ser aplicados para proporcionar essa harmonia e, em muitas situações, são necessários procedimentos biologicamente invasivos, como cirurgias periodontais para aumento de coroas clínicas curtas – recurso bastante interessante para casos de sorriso gengival.

Para isso, é essencial ter conhecimento do espaço biológico e habilidade para realizar cirurgias periodontais. Por outro lado, nada é mais importante do que a oclusão. Não há tratamento estético que dure se a oclusão não estiver adequada. A harmonia oclusal é o segredo para alcançar um bom prognóstico e durabilidade de qualquer tratamento odontológico. Infelizmente, parece que os pacientes não estão tão preocupados com a função. Muitos planejamentos para restabelecer estética e função envolvem procedimentos reabilitadores no setor posterior, tornando os tratamentos mais caros, e sempre existe um dilema entre aquilo que é ideal para o paciente e aquilo que é ideal para o dentista. É difícil a tarefa de fazer o paciente compreender sobre a necessidade de um tratamento mais amplo para garantir um bom resultado de longevidade estética (Figuras 1 a 8).

A mídia e as redes sociais contribuem para o aumento do fluxo nos consultórios e conferem forte impacto no trabalho dos dentistas, pois norteiam as solicitações dos pacientes. Além disso, consiste em um espaço onde os profissionais divulgam seus casos, promovem suas clínicas, fazem propagandas e até promoções. Conceitos antigos e técnicas ultrapassadas não são mais aceitos, já que todos têm informações. Porém, na internet encontramos verdades e mentiras, realidade e ilusão na mesma proporção. O lado bom é que, com tanta informação, os profissionais e pacientes em qualquer parte do País têm condições de estarem sempre bem informados. O lado ruim é que alguns profissionais usam esses recursos inadequadamente, contrariando os conceitos éticos e divulgando tratamentos estéticos sem apresentar suas restrições e limitações. Quem nunca recebeu no consultório um paciente querendo fazer “lentes de contato” com a ideia de que é rápido e não são necessários desgastes dentais?

Vivemos uma era de crescente evolução de recursos para obter estética em todas as partes do corpo. Os dentes, sem dúvida, têm um papel importante nesse contexto. Essa infinidade de recursos pode fazer com que algumas pessoas acreditem que podem atingir a “perfeição”. As expectativas dos pacientes com relação ao resultado, às vezes, são altíssimas. Um criterioso planejamento, com a utilização de detalhada anamnese, exame clínico, análise oclusal, fotografias e recursos digitais de desenho do sorriso com simulações das modificações propostas, auxilia o paciente a compreender e visualizar o provável resultado do tratamento e a controlar suas expectativas. Porém, apesar de não ser tão frequente, nos deparamos com pacientes com dismorfia corporal ou “síndrome da feiura imaginária”. Indivíduos com esse transtorno costumam examinar sua aparência no espelho com frequência, compará-la constantemente com a dos outros e evitar situações sociais ou fotos. Apresentam ansiedade ou descontentamento geral e é comum terem pensamentos indesejados, comportamento compulsivo, depressão ou higiene excessiva. É importante conhecer um pouco dessa síndrome para identificá-la e tomar a correta conduta. Na verdade, o ideal, nesses casos, seria indicar a orientação médica e psicológica, e contraindicar temporariamente o tratamento estético, pois seguramente esse paciente não ficará satisfeito com o resultado, por melhor que seja.

A importância de optar por técnicas menos invasivas

O tratamento conservador é sempre mais adequado, e hoje temos materiais extremamente estéticos e resistentes para isso. No caso de facetas cerâmicas, é possível realizá-las com espessura ultrafina, o que requer mínima redução dental, preserva o esmalte, garante melhor adesividade e melhora o prognóstico. Porém, isso não significa que não existe mais a necessidade do desgaste dental para realizar um tratamento com facetas cerâmicas. Na verdade, a maioria dos casos requer algum desgaste para não criar um resultado com sobrecontorno. Aliás, temos visto muitos casos assim nas mídias e redes sociais: um reflexo da falta de planejamento, conhecimento e habilidade.

Pacientes muito jovens que são submetidos a tratamentos estéticos devem estar cientes dos riscos a respeito dos diversos problemas dentários que podem surgir com o passar dos anos, como recessões gengivais, disfunções temporomandibulares e doenças periodontais. Esse perfil de paciente busca as cerâmicas ultrafinas, mas, em algumas situações, é possível harmonizar a estética com pequenas restaurações de resina, tornando o tratamento menos invasivo (Figuras 9 a 14).

A possibilidade de promover estética dental é encantadora e desafiadora. Porém, nunca podemos nos esquecer que somos dentistas, profissionais da Saúde, e que devemos honrar esse compromisso. Vamos sempre nos deparar com novos desafios estéticos odontológicos e isso nos faz crescer profissionalmente, já que nos força a estar sempre atualizados e bem informados para proporcionar o que há de melhor para os pacientes.

Renata Faria

Mestra e doutora em Prótese Dentária – Unesp/SJC; Especialista em Prótese Dentária e Implantodontia, e professora coordenadora da área de Prótese do curso de especialização e de atualização em Implantodontia – Unimes; Professora titular de Prótese Dentária – Unip.

Integração de especialidades


Por André Vilela

Vivemos um período de transição. A estética nunca esteve tão “na moda”. O Brasil é o país onde mais se investe em tratamentos estéticos, mudando todo o paradigma da saúde corporal – e a Odontologia se destacou nesse sentido. O tratamento odontológico sempre teve como filosofia e essência o restabelecimento das funções de todo o sistema estomatognático, devolvendo saúde e bem-estar ao paciente, mas também vinculando a estética a esse conceito.

Nesta era em que a estética vira protagonista, é importante lembrar sobre as obrigações éticas para não extrapolar os limites desse conceito que é tão abrangente. Dentro das atribuições éticas, a estética deve atuar respeitando os limites biológicos do tratamento odontológico para alcançar a longevidade.

É importante encarar a nova realidade: a Odontologia deixou de ser separada por especialidades e se tornou uma área com fundamento estético-funcional baseado na integração das especialidades para atingir um objetivo. No planejamento estético, o conhecimento de várias áreas da Odontologia é extremamente importante para conciliar a função com a saúde e evidenciar a estética de acordo com os anseios dos pacientes, que geralmente são influenciados pelas mídias sociais. Esse tipo de comunicação coloca o clínico em contato com uma realidade diferente. Isso porque existe uma propagação de “resultados milagrosos” que levam os pacientes a buscarem tratamentos ilusórios e sem evidência científica. Além disso, os jovens profissionais podem se iludir ao pensar que as mídias sociais são uma ferramenta de atualização de conceitos e técnicas, gerando confusão sobre aquilo que é belo e saudável, e aquilo que está na moda. Também é preciso ficar atento a pacientes que sofrem de dismorfia dentária, ou seja, acham seus dentes feios, desalinhados, amarelados, por não possuírem um sorriso perfeito.

Isso acaba afetando, inclusive, o convívio social e profissional. Dessa forma, acabam sentindo necessidade de fazer um tratamento estético sem, na verdade, ter uma indicação real. Nessa hora, o dentista que se atualiza pelas mídias sociais enxerga uma possibilidade de oferecer os tratamentos com facilidade e aumentar seu faturamento, e aceita as condições propostas pelos pacientes, deixando de lado a ética e o critério de avaliação estético-funcional que norteia todo o planejamento.

Na década de 1980, a Implantodontia mudou a Odontologia como um todo, porém a Periodontia foi a área que mais sofreu nos últimos 15 anos por não existir evidências científicas sólidas relacionadas à regeneração dos tecidos de suporte perdidos na doença periodontal. Como o tratamento periodontal não tinha sustentação em longo prazo, havia uma condenação em massa de dentes periodontalmente comprometidos para a substituição por implantes osseointegrados. Porém, sabíamos que a Periodontia tinha muito mais a oferecer. Nesse cenário, a Odontologia se tornou multidisciplinar, os conceitos básicos e os princípios biológicos da Periodontia tiveram um retorno triunfal, fazendo com que atualmente seja a chave da integração das especialidades.

O tratamento odontológico estético-funcional depende principalmente da avaliação periodontal prévia, com análise das condições de saúde do paciente, dando base sustentável para o tratamento estético alcançar os critérios para o sucesso. Além disso, a Periodontia contribuiu com a otimização dos resultados estéticos, buscando o equilíbrio na equalização das margens gengivais previamente ao tratamento restaurador, seja qual for a modalidade, e atuando nos maiores problemas relacionados ao desequilíbrio estético, às recessões de margem gengival, ao tamanho desproporcional dos dentes e à presença dos famosos black spaces (falta de papila interdentária).

Seja removendo excesso de tecido gengival, através de manobras de aumento de coroa clínica e gengivoplastia, ou colocando tecido gengival com as manobras de recobrimento radicular, devemos sempre trabalhar o planejamento estético em função das distâncias biológicas e não somente através de planejamentos que levam em consideração as proporções dentárias.

A evolução tecnológica permite atingir esses resultados de maneira ainda mais previsível quando colocamos em prática os conceitos baseados nos entendimentos dessas bases biológicas.

Medindo o tamanho real de uma coroa clínica através de tomografia computadorizada ou clinicamente através da sondagem, pode-se identificar a junção cemento-esmalte para saber exatamente o limite ideal da margem gengival para a futura restauração e planejar de forma virtual o desenho ideal dessa futura restauração baseada nessas medidas biológicas.

Da mesma forma, quando nos deparamos com situações de parafunção, como bruxismo ou lesões cervicais não cariosas associadas às recessões – que têm desgaste da estrutura dental –, as manobras de manipulação tecidual para equalizar as margens gengivais podem ser feitas em função da proporção das coroas clínicas dos dentes que serão restaurados.

De acordo com o conceito da Odontologia multidisciplinar, ao integrar todas as áreas para alcançar resultados previsíveis norteados pela saúde, função e estética, pode-se evitar retratamentos de casos mal planejados que trazem ao paciente uma série de problemas não só estéticos e funcionais, mas também psicológicos.

Caso clínico realizado em parceria com Daniel Hiramatsu e Laboratório Hélio.

André Vilela

Mestre em Periodontia – UnG; Especialista em Periodontia e Implantodontia – Universidade Cruzeiro do Sul; Professor dos cursos de especialização em Periodontia e Implantodontia da APCD Central/Faoa; Autor do livro View – A Nova Era da Periodontia.

Princípios básicos da Odontologia e conceitos biológicos fundamentais


Por Luis Calicchio

Estamos em 2020 e seguimos discutindo o mesmo assunto que me chamou atenção em 2003, quando eu estava no final da graduação. O que mudou de lá para cá? Muita coisa e, ao mesmo tempo, pouca coisa. As principais mudanças aconteceram  no desenvolvimento de ferramentas que facilitam e aceleram o fluxo de atendimento clínico e a confecção laboratorial, ou seja, a era da digitalização, as máquinas assumindo cada vez mais a posição dentro dos processos, o ser humano como maestro e parte pensante para que a máquina execute sua tarefa em capacidade máxima, velocidade e qualidade. Esse é um avanço incrível da Odontologia e que não tem mais volta, pois todo o ecossistema ganha, seja cirurgião-dentista, laboratório ou paciente. A digitalização tornou mais fáceis e acessíveis os tratamentos estéticos restauradores, mas, para alcançar os resultados esperados, não basta contar somente com a tecnologia.

Outra mudança que afetou o mercado foram as mídias sociais, um verdadeiro palanque com milhões de pessoas impactadas de forma rápida e simples, gerando para o profissional um potencial gigante de alcance. Assim, no país com o maior número de dentistas no mundo, a concorrência ficou acirrada. Muitas vezes, aquele que possui melhor perfil de comunicador se destaca e deixa para trás o bom profissional, que domina as técnicas e está preocupado com a saúde do paciente, porém não se expõe tanto. Esse é um ótimo canal de comunicação, mas não se pode deixar de valorizar o tratamento de qualidade e com responsabilidade. O que mais vemos hoje nas mídias sociais são casos de antes e depois que mostram a banalização de técnicas, executadas por profissionais incapacitados. Os princípios básicos foram deixados de lado e não há preocupação com os conceitos-raízes da Odontologia.

Esse panorama nos obriga a sermos também dentistas de retrabalhos, perdendo a capacidade de prevenir para investir tempo em sobretratamentos e ainda cuidar de pacientes mutilados por indicação excessiva e incorreta de tratamentos. Por isso, é importante considerar um conceito biológico que não mudou nos últimos anos e que é primordial no processo restaurador: o perfil de emergência.

Por definição, perfil de emergência é a forma com que o dente ou restauração emerge do tecido mole para o meio bucal (Figura 1) – um conceito aparentemente simples, mas que vem sendo negligenciado pela maioria dos profissionais (Figura 2).

As consequências desta imprudência são:

  1. Acúmulo excessivo de alimento na região cervical e proximal dos dentes ou restaurações;
  2. Inflamação gengival;
  3. Perda de estrutura óssea de suporte do dente em longo prazo;
  4. Aumento das chances de infiltração marginal em longo prazo, com grande possibilidade de cárie dental;
  5. Possibilidade de perda da estrutura dental;
  6. Alteração de forma com comprometimento estético do sorriso.

O aumento meteórico da procura pelas famosas lentes de contatos ajudou a seduzir e induzir profissionais da Odontologia a se arriscarem na execução da técnica sem dominar os conceitos básicos. A falsa ideia vendida ao paciente de transformação do sorriso sem desgaste ou com pouco desgaste é um dos principais fatores de erro durante a confecção das restaurações, uma vez que a ausência de espaço sufi ciente leva à confecção incorreta do perfil de emergência. É fundamental um protocolo clínico detalhado para alcançar o objetivo do tratamento e respeitar todos os conceitos biológicos. A seguir, é apresentada a sequência clínica ideal para uma transformação estética do sorriso:

  1. Consulta inicial para exame clínico, radiográfico, fotográfico e impressão das arcadas;
  2. Planejamento e enceramento diagnóstico;
  3. Profilaxia + adequação do meio bucal;
  4. Mock-up do sorriso;
  5. Preparo dental + impressão;
  6. Cimentação + ajustes oclusais.

A etapa de planejamento e enceramento diagnóstico é essencial para a identificação dos procedimentos que serão necessários, sendo o mock-up uma das fases mais importantes, pois servirá de guia durante as fases de preparo e confecção das restaurações finais.

O mock-up pode ser dividido em:

  • Mock-up motivacional: usado para convencimento do paciente durante a apresentação do plano de tratamento. Neste caso, algumas vezes a posição tridimensional do dente ainda não é a ideal, mas já é sufi ciente para ilustrar como poderá ficar o sorriso.
  • Mock-up de trabalho: usado como referência para definir a estratégia de preparo dos dentes e de função oclusal. É tido como a posição final dos dentes.

Baseando-se no mock-up de trabalho, são traçadas todas as estratégias de preparo dos dentes, permitindo que o técnico de prótese dentária tenha condições de confeccionar as restaurações finais respeitando as características de forma e cor, garantindo a integridade da estrutura dental e do periodonto.

Há necessidade de preparo dental em todos os casos clínicos que exigem restauração. Respeitar a espessura mínima do material restaurador e garantir a facilidade do trabalho do laboratório durante a fase de confecção da peça são fatores fundamentais para assegurar qualidade e previsibilidade.

Na Figura 3, observa-se um mock-up de trabalho realizado previamente ao preparo dental. Aqui, estamos aprovando a forma final dos dentes, o perfil de emergência e a estética. Após aprovação do paciente, estamos prontos para a execução dos preparos.

Na fase de definição da estratégia de preparo, é necessário responder algumas perguntas:

  1. Qual material restaurador será utilizado?
  2. Qual a cor final da restauração desejada pelo paciente?
  3. Qual a condição do substrato dental no qual iremos executar os preparos?

Todas as respostas são importantes para estabelecer a espessura do preparo. No caso clínico apresentado, definimos a necessidade de preparos com 0,4 mm de espessura, garantindo previsibilidade da usinagem da peça no laboratório, a cor final desejada da restauração e a correta forma.

Nas Figuras 4 a 6, são observados os preparos finalizados, oferecendo ao técnico as condições necessárias de trabalho. Nas Figuras 7 a 10, temos a imagem do arquivo digital do escaneamento intraoral realizado após os preparos. Observe como um preparo bem definido e um bom afastamento gengival são necessários para a correta impressão digital, garantindo a condição ideal de trabalho ao laboratório.

Na fase laboratorial, o técnico fará a sobreposição do enceramento digital (mock-up de trabalho aprovado) sobre os preparos realizados, assegurando previsibilidade máxima no que foi prometido ao paciente – e esta é uma grande vantagem do fluxo digital, pois permite máxima qualidade e velocidade quando o dentista domina a técnica (Figuras 11 a 14).

Em seguida, o desenho final é posicionado no bloco virtual para a fresagem das peças (Figura 15), que posteriormente passam pelos processos de acabamento e maquiagem.

Na etapa da cimentação, a prova seca tem a função de conferir a adaptação marginal, os pontos de contato, a forma e o perfil de emergência das peças (Figuras 16 e 17). Conforme ilustrado no caso clínico (Figura 18), quando o profissional se baseia nos fundamentos biológicos e domina as técnicas e a tecnologia utilizada, é possível atingir resultados de excelência de forma simples e previsível. Para isso, vale reforçar que é fundamental investir de maneira contínua na educação para o aprimoramento de técnicas e conceitos. Em um mundo conectado e dominado pelas mídias sociais, em que verdades são escondidas ou maquiadas, é necessário usar e abusar da capacidade de questionar e escolher as referências profissionais.

Lembre-se de que a saúde e o bem-estar do paciente devem estar acima do desejo de aparecer e enriquecer. Afinal, fizemos um juramento de zelar por nossos pacientes e pela nossa profissão.

Luis Calicchio

Cirurgião-dentista pela FOP/Unicamp; CEO e fundador da UDLab; Autor dos livros A Arquitetura do sorriso; Precision – Os segredos da Odontologia Estética minimamente invasiva; e Arquitetura do sorriso e a construção de uma marca.